Em entrevista exclusiva, Luis von Ahn, explicou em detalhes como construiu o Duolingo com a proposta de ser uma plataforma gratuita e online de aprendizagem de línguas

Como o Duolingo fatura 13 milhões por ano sendo gratuito aos usuários?

23/10/2018 • por meuSucesso .com

Em entrevista exclusiva, Luis von Ahn, deu dicas importantes sobre gestão, ações que deram erradas e revelou como funciona o modelo de negócio do Duolingo

Criar empresas disruptivas, com uma proposta de valor diferenciada e que consiga se manter sólida e atrair milhares de pessoas é um dos grandes desafios de todo empreendedor, adicione a esse modelo de negócio à gratuidade do serviço para atrair novos usuários. A plataforma online e aplicativo Duolingo, fundada pelo empreendedor serial Luis von Ahn, tem exatamente esta proposta: ser um ambiente online onde os usuários praticam, estudam, fazem testes e jogos com o intuito de aprender uma nova língua, sem precisar pagar nada por isso. Mas, como a companhia de fato gera receita? Quais são as estratégias utilizadas? Em entrevista exclusiva ao meuSucesso.com, Luis von Ahn, fundador do Duolingo, explicou como funciona o modelo de negócio da empresa.

Como o Duolingo fatura

Com o intuito de não cobrar dos usuários pelo uso da plataforma, o Duolingo possui um modelo de negócio semelhante ao do Spotify. Ao final de cada lição, são exibidos anúncios. Aqueles usuários que não querem ser impactados pela publicidade pagam pela assinatura da plataforma e tem acesso livre dos anúncios.

Outro formato interessante que o Duolingo possui são os certificados que custam, em média, 50 dólares e são aceitos por diversas instituições do mundo todo. A ideia é permitir que o usuário tenha acesso a um teste validado e aceito por grandes instituições sem precisar demandar de um grande aporte financeiro, como acontece com outras certificações, como é o caso do TOEFL.

Crowdsourcing: quando a estratégia não dá certo

Luis von Ahn conta também da experiência de ganhar dinheiro por meio da tradução de textos que usuários do Duolingo fariam por um sistema de colaboração. Em parceria com uma instituição, a plataforma iria traduzir diversos textos e notícias por meio da colaboração dos usuários que estivessem interessados em treinar suas habilidades e traduzir os artigos. Esses textos seriam enviados à instituição parceira que pagaria por eles. A parceria durou dois anos e, segundo o empreendedor, não foi possível ganhar muito dinheiro por meio dessa estratégia já que a tradução é algo que é barato e acessível, então a renda obtida daí era escassa. Percebeu-se que com a estratégia dos anúncios era mais eficaz a geração de receita.

A Nova Economia

Uma lição que podemos aprender com a história da Duolingo é justamente como a empresa soube se posicionar perante a Nova Economia, que foi um movimento que se originou nas décadas passada para definir a mudança de comportamento dos hábitos de consumo das pessoas com as mudanças tecnológicas. Estamos na era das transformações do setor econômico, que aliado ao avanço tecnológico e industrial está cada vez mais focado no meio digital e menos no meio físico, com empresas novatas ganhando bilhões de reais de um dia para a noite, enquanto tradicionais gigantes de mercado perdem espaço e cifras. Com isso, a economia está mudando e o empreendedorismo também.

A matéria How Duolingo Built a $700 Million Company Without Charging Users, da Product Habits, comenta da perda de espaço da Rosetta Stone, software de aprendizado de línguas, para o Duolingo. É possível ver o quanto a este último soube se adpatar às mudanças de mercado e comportamento do consumidor para assim se destacar. 

Quando a Rosetta Stone abriu seu capital em 2009, foi rrecadado US $ 112,5 milhões no primeiro dia de negociação. A empresa dava um passo bem-sucedido indo atrás de um mercado enorme, mas fragmentado - pessoas do mundo todo querendo aprender uma nova língua - e registraram mais de US $ 209 milhões em receita anual. Porém, o sucesso da empresa durou pouco. A Rosetta Stone permitia que os usuários aprendessem mais de 30 idiomas em suas casas. O problema era que eles tinham que pagar algumas centenas de dólares até pelos cursos mais básicos. Com a chegada do Duolingo, em 2012, empresas como a Rosetta Stone tiveram que enfrentar uma proposta de negócio que não cobrava dos usuários e, em compensação, abocanhava uma boa fatia do mercado de línguas: as pessoas que não podiam pagar para estudar inglês.

A imagem abaixo, retirada do Google Trends, que avalia os temos mais buscados e em alta no Google, demonstra o quanto a marca do Duolingo aumentou seu reconhecimento de marca no mundo todo, enquanto a Rosetta Stone perdeu espaço.

Nesta imagem, abaixo, divulgada na matéria da Product Habits, você confere uma das ofertas da Rosetta Stone para um dos cursos.

Toda essa história é um exemplo clássico de como estar preparado para a Nova Economia e o quanto as empresas precisam estar atentas aos hábitos de consumo para poder seguir em frente. O que funcionava há um ano atrás, hoje já pode ser antiquado e ultrapassado. O Duolingo soube se posicionar e oferecer um produto alinhado às necessidades atuais dos consumidores de soluções digitais de aprendizagem de línguas. Adaptou seu modelo de negócio para ser gratuito e acessível ao maior número de pessoas e criou os anúncios e o modelo "freemium", semelhante a proposta do Spotify, para assim ter um alcance de mercado e demanda maior.

A vontade de ser a solução no aprendizado de línguas

Luis von Ahn é professor de Ciências da Computação da Carnegie Mellon University e conhecido como um dos pioneiros do crowdsourcing. Foi um dos co-fundadores da empresa CAPTCHAs, vendendo o negócio para o Google aos seus 20 anos, como também foi ganhador do prêmio MacArthur Fellow. Atualmente é co-fundador e CEO da Duolingo, que possui mais de 300 milhões de usuários ao redor do mundo, com mais de 33 milhões só no Brasil.

“Eu nasci na Guatemala, eu vim para os Estados Unidos para estudar na Universidade. Eu sempre quis trabalhar com algo relacionado à minha paixão, que sempre foi educação, que fez eu me decidir em focar no Duolingo. Em um país em desenvolvimento como a Guatemala, tem muita gente que pode pagar para ter uma boa educação, mas há pessoas que não. Eu quis criar um negócio que trouxesse acesso igualitário à aprendizagem de línguas a todos”, comenta o empreendedor.

Segredos para manter os usuários engajados

O que ajudou o crescimento do negócio e o engajamento com os usuários foi pensar na proposta do negócio, portanto proporcionar uma experiência gratuita ajudou a trazer diversos usuários interessados em utilizar o produto. Além disso, transformar a experiência de aprendizado da plataforma em uma espécie de game, utilizando-se do formato de gamificação – ou seja, quando se estimula o usuário por meio de uma trajetória, um caminho, dividido em níveis que irão gerar uma progressão baseada em recompensas a cada etapa vencida.

“A combinação de fazer o aplicativo gratuito e com a aparência mais semelhante o possível com um jogo ajudou a atrair muitas pessoas. Em algum momento, a Apple também escolheu nosso app como o do ano, que teve um grande impacto e que ajudou a deixar a empresa mais popular, funcionou muito bem como um Marketing gratuito”, comenta.

Aprenda a lidar com os desafios da Nova Economia

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Para você, empreendedor, é importante estudar e aprender com a história da empreendedora e da Gazeta do Povo porque justamente traz ensinamentos valiosos de como adaptar uma empresa off-line para o ambiente digital. Você estuda como a empresa fez todo o planejamento para mudar o modelo de negócio, como se preparou para uma eventual crise e analisa os cortes necessários para essa nova estrutura. Inclusive, a aula Nova Economia: prepare a sua empresa, com Anserson Godzikowski, advisor da Gazeta do Povo, e responsável por comandar essa transição da empresa, traz ensinamentos valiosos sobre como preparar a sua empresa para lidar com os desafios de um mundo cada vez mais conectado e tecnológico onde os hábitos de consumo estão mudando cada vez mais rápido.

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