Empreendedorismo: o que é, conceitos e definições [guia completo]

4/12/2018 • por meuSucesso .com

Por trás do termo "empreendedorismo" há muita história que você precisa conhecer para entender mais sobre o comportamento empreendedor

O termo empreendedorismo não é exatamente novo. Ele foi criado em 1945 pelo economista Joseph Schumpeter. Segundo ele, o empreendedorismo é algo desenvolvido por pessoas pessoas versáteis, com habilidades técnicas para produzir e organizar recursos financeiros e operações internas, além de lidar muito bem com vendas.

Já o estudioso Robert D. Hisrich, porém, define empreendedorismo como um "processo de criar algo diferente e com valor, dedicando tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação econômica e pessoal”.

Por fim, o autor Ronald Jean Degen definiu que empreendedor é um termo derivado do inglês entrepreneur, que, por sua vez, vem do termo do francês antigo "entreprendre", um vocábulo formado pelas palavras entre - do latim inter, que significa reciprocidade - e preneur - do latim prehendre, que significa comprador. Dessa forma, "a combinação das duas palavras, entre e comprador, significa simplesmente intermediário", afirma Degen.

Apesar de pontuais diferenças entre os conceitos, é perceptível que a definição básica de empreendedorismo inclui ações como criatividade, iniciativa, paixão, riscos e oportunidades.

Quais as principais características do empreendedor?

O empreendedor não é formado por apenas uma, duas ou três características. Afinal de contas, ele precisa ser versátil e dispor de muito conhecimento para criar, manter e fazer crescer algum projeto.

Por isso, algumas características são essenciais na carreira do empreendedor, tal como:

  • Busca de oportunidades e iniciativa: capacidade de antever-se aos fatos e criar novas oportunidades de negócios, desenvolver novos produtos e serviços, propor soluções inovadoras.
  • Apto a correr riscos calculados: ou seja, o empreendedor costuma avaliar alternativas e calcula riscos deliberadamente, age para reduzir os riscos ou controlar os resultados e coloca-se em situações que implicam desafios ou riscos moderados.
  • Exige qualidade e eficiência: para maximizar os ganhos é necessário sempre encontrar maneiras de fazer as coisas melhor, mais rápido ou mais barato, agindo de maneira a fazer coisas que satisfaçam ou excedam padrões de excelência e desenvolvendo ou utilizando procedimentos para assegurar que o trabalho seja terminado a tempo ou que atenda a padrões de qualidade previamente combinados.
  • Persistência: ou seja, saber agir diante de um obstáculo significativo sem desistir do mesmo, por vezes fazendo um sacrifício pessoal ou despende um esforço extraordinário para completar uma tarefa.
  • Saber lidar com metas: estabelecendo metas e objetivos que são desafiantes e que têm significado pessoal, com visão de longo prazo, clara e específica, sempre estabelecendo objetivos de curto prazo mensuráveis.

O empreendedorismo no Brasil

O empreendedorismo no Brasil é a chave para que empresas possam sair da crise econômica. É isso que diversos empresários e especialistas no assunto repetem incansavelmente em suas entrevistas e opiniões.

Segundo o governo federal, surgem cerca de 600 mil empreendimentos por ano no Brasil - resultando em mais de 1,5 milhão de microempreendedores no âmbito nacional atualmente.

Por aqui, o ato de empreender deu um salvo a partir dos anos 90 com o incentivo de organizações da indústria e dos serviços.  

De acordo com o estudo GEM (Global Entrepreneurship Monitor), realizado no Brasil pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e pelo IBQP (Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade), o Brasil se encontra topo do ranking no quesito abertura de novos empreendimentos, segundo dados de 2014/2015, inclusive ficando à frente de países como Argentina, México e dos países do BRICS .

Para termos uma melhor ideia da importância do empreendedorismo no Brasil, só na última década a quantidade de pessoas economicamente ativas que criaram o seu próprio negócio saltou de 23% para 34,5%. Ou seja: 1 a cada 3 pessoas economicamente ativas são donas do seu próprio negócio no Brasil, segundo dados do GEM.

Por aqui há, basicamente, dois tipos de empreendedor: o de necessidade e o de oportunidade.

O empreendedor por necessidade surge da urgência de se criar uma renda. Feito sem planejamento, na maior parte das vezes resulta em falência em pouco tempo.

Já empreendedor por oportunidade aproveita de um maior planejamento, estudos e estrutura, garantindo assim um maior tempo de vida e mais lucro, como startups — empresas focadas em inovação e com potencial de crescimento exponencial — por exemplo.

De acordo com o Startup Ranking, o Brasil atualmente é o 8º mais bem colocado na quantidade de empresas em todo o mundo. A Associação Brasileira de Startups (Absartups) aponta que há mais de 4.000 startups no país, guiadas por mais de 40.000 empreendedores.

Grandes exemplos de empreendedores

O empresário Flávio Augusto da Silva é um dos nomes mais respeitados do Brasil quando o assunto é empreender. Flávio ficou em primeiro lugar no ranking de empresários mais admirados do país, lançado em 2015 pela Cia de Talentos.

Hoje bilionário, o empreendedor estudou a maior parte da vida em escola pública. Em 1995 fundou a Wise Up idiomas com R$ 20 mil de seu cheque especial.

Em 2014, a antiga Abril Educação — atualmente Somos Educação —  fechou a compra de 100% da Wise Up idiomas por R$ 877 milhões. Com isso, passou a comandar também as marcas Wise Up, Lexical, You Move, You Move Teens, Put2gether e Wise Up Teens.

Na época, a empresa era das gigantes no ramo de ensino de idiomas no Brasil, com mais de 76 mil alunos, 338 escolas franqueadas e presença em 93 municípios no Brasil e no exterior.

Dois anos após a venda, Flávio Augusto da Silva deu uma jogada de mestre e recomprou a Wise Up do Grupo Somos Educação. Mas não foi qualquer negócio não. O empresário pagou cerca de R$ 398 milhões pela empresa, menos da metade do que pagou em sua venda no ano de 2013 — R$ 877 milhões.

Flávio também é responsável pelo Geração de Valor, blog que auxilia iniciantes no mundo do empreendedorismo através de lições estratégicas e gratuitas nas redes sociais e site, além de eventos físicos, e impacta mais de 3 milhões de pessoas no Facebook.

O meuSucesso.com é outro projeto de sucesso elaborado por Flávio. O site entrou no ar em 28 de abril de 2014. A plataforma digital foi lançada para fomentar o empreendedorismo no Brasil através de conhecimento e network. Além da rede de idiomas e do meuSucesso.com, o empresário também investiu em uma área pouco explorada pelos empresários brasileiros: o futebol no exterior. Em 2013 ele anunciou a compra do Orlando City em uma decisão estratégica exemplar de negócios, ao valor de US$ 120 milhões de dólares. Em 2017 o time inaugurou o seu estádio próprio — o Orlando City Stadium  — com capacidade para 25 mil pessoas, o que fez com que o valor do clube subisse para US$ 500 milhões, segundo o próprio Flávio Augusto da Silva.

Outra lenda viva do empreendedorismo brasileiro é Jorge Paulo Lemann. O empreendedor é atualmente o homem mais rico do Brasil e o vigésimo sexto mais rico do mundo, sendo este dono ou associado aos grandes grupos empresariais que abastecem o país, como AB Inbev, Burger King, Kraft Heinz.

Descendente de um imigrante suíço, a primeira experiência com o mercado financeiro resultou em uma falência. Mas isso, felizmente, não fez o jovem empresário desistir de seus planos. Em 1971 fundou o banco Garantia e, após isso, passou a investir em vários segmentos diferentes bebidas, através da cervejaria Brahma, e varejo, com as Lojas Americanas. A empresa cresceu e, com investimento externos, passou a ser AB Inbev. Hoje, ela é responsável pela fabricação e/ou comercialização de produtos como as cervejas Stella Artois, Budweiser, Bohemia, Antarctica, Corona, Skol e Brahma.

Como o empreendedor pode transformar o ecossistema econômico?

O relatório Leveraging Entrepreneurial Ambition and Innovation: A Global Perspective on Entrepreneurship, Competitiveness and Development, organizado e distribuído pelo Fórum Econômico Mundial e pela a Global Entrepreneurship Monitor (GEM), e disponível no site do Sebrae, revelou algumas características importantes do empreendedor global. Algumas observações dessas características podem apontar como o ecossistema econômico regional e global está sendo transformado pelo empreendedorismo:

  • - O empreendedorismo inclui três componentes: começar e administrar um novo negócio próprio; o crescimento das expectativas dos empreendedores (suas ambições); as inovações introduzidas pelos empreendedores.
  • - O nível de competitividade de uma economia afeta esses componentes de maneiras diferentes: economias menos competitivas apresentam atividade empresarial em estágio inicial, enquanto economias mais competitivas apresentam empreendedores mais ambiciosos e inovadores.

  • - Estágios de desenvolvimento têm impacto significativo no ecossistema empreendedor de uma economia: o impacto dos empreendedores depende do estágio de maturidade da economia e o número de oportunidades pode variar, bem como suas características.

  • - Os empreendedores variam de acordo com a idade, sexo e o nível de instrução: de acordo com o estudo, mulheres apresentam os mesmos níveis de inovação, mas um menor nível de ambição que os homens. Além disso, a ambição de crescer e a inovação tendem a acompanhar as faixas etárias dos empreendedores e níveis de instrução mais altos estão ligados a um empreendedorismo ambicioso e inovador.

Através destas características é possível perceber o poder do empreendedor no mercado e como a transformação do perfil dos negócios estão modificando o consumo da sociedade.

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